Venture Capital: como ele pode acabar com seu negócio
Empreendedores geralmente são pessoas aceleradas que querem ver o negócio crescer. O crescimento da empresa depende dos investimentos realizados e os valores para investimento podem ter diferentes origens: Banco, Família e/ou Venture Capital.
As duas primeiras fontes de investimentos são para empresas que desejam crescer de forma orgânica, onde o lucro bruto (EBITDA) em conjunto com dinheiro do banco (ou família) sustentam o crescimento do negócio.
A captação de dinheiro via Venture Capital geralmente é realizada por empresas que desejam crescer rapidamente para atingir um tamanho de base de clientes e receita o suficiente para pagar o seu custo operacional, e o risco da jornada é extremamente alto, por isso o dinheiro do Venture Capital também é conhecido como capital de risco, visto que cerca de 75% dos seus investimentos vão dar errado.
Por que o Venture Capital é tão arriscado para a empresa?
Receber um aporte de um venture capital pode ajudar a acelerar muito o crescimento da empresa, mas também pode acelerar o seu fim por situações pouco conhecidas. No artigo da TechCrunch Toxic VC and the marginal-dollar problem, Eric Paley descreve o problema do dinheiro marginal.
Basicamente, Eric explica que o objetivo da captação de dinheiro é a aceleração do crescimento a partir de contratação de pessoas, tecnologia, aquisição de estoque e investimentos em marketing para tornar a marca conhecida e as as medidas geralmente utilizadas como fatores de sucesso são faturamento ou quantidade de clientes na base.
Investir sem clareza
O aporte de capital em si não é um problema, mas a situação pode se tornar ruim quando o dinheiro é tomado e investido sem saber exatamente onde estão os gargalos que precisam ser eliminados na empresa, sem esta clareza, o dinheiro pode ser aplicado em áreas que não trarão resultado e com alto risco de aumentar o custo da operação.
Por exemplo, uma empresa que possuía um custo operacional de R$200 mil e gerava R$1,50 por real gasto passou a “queimar” (cash burn) R$1 milhão para gerar R$0,50 para cada real gasto. O desespero pelo crescimento – resultado esperado pelo venture capitalist – leva a startup a buscar margem incremental aumentando os seus maiores custos, trazendo uma rápida e crescente perda.
Este problema é conhecido como “o problema do dinheiro-marginal”, quanto mais a empresa acelera o cash burn, mais ela se afasta do retorno sobre o investimento (ROI), levando a empresa a uma situação financeira irreversível.
Venture Capitalists cobram do empreendedor o crescimento do negócio, visto que sua intenção é vender o seu share quando o valor da empresa chegar à sua expectativa. Geralmente os empreendedores e gestores da startup aplicam o dinheiro do caixa no produto, marketing e vendas, sem observar as áreas de operação e administrativas da empresa.
Crescimento com cautela e prudência
Se a empresa não estivesse buscando triplicar, quadruplicar ou quintuplicar o seu valuation rapidamente, ao invés de buscar de fato aquilo que está atrapalhando o seu crescimento, agindo de uma maneira mais prudente e rejeitando a injeção de investimentos em áreas ou projetos que não trazem um retorno aceitável e que gerem resultados consistentes, poderia evitar a situação de ficar tentando “se salvar” de um buraco que ela mesmo cavou.
Eric exemplifica muito bem esta situação: um vendedor tem um custo de remuneração de R$ 100 mil por ano e gera R$ 250 mil em receita anual – contra R$ 500 mil que tinha como meta – a princípio parece estar entregando uma boa performance, visto que ele paga o seu custo e sobra um pouco, correto?
Na verdade, não. O que os fundadores muitas vezes não enxergam são os custos incorridos em áreas como gestão de contas, vendas, administrativas e gerais, também chamado de SG&A (Sales, General & Administrative Expenses). Nesta situação, se o custo anual das vendas relacionado a SG&A fosse de R$ 400 mil por vendedor o resultado seria:
250 mil (receita anual) – 100 (custo da remuneração) mil – 400 (SG&A) mil = -250 mil
Se a empresa possui vários vendedores na mesma situação, injetando o dinheiro do VC em áreas que aceleram o crescimento, o investimento estará levando a empresa à falência.
E como diminuir o risco de chegar nessa situação?
Primeiro, busque métricas que de fato sirvam para mensurar o crescimento sustentável do negócio como custo da entrega do serviço, geração de caixa, lucro bruto e evite olhar apenas para métricas de vaidade como faturamento e crescimento da base de clientes.
Busque aumentar a eficiência em todos os pontos do negócio, para que o seu custo operacional não se torne alto e inviabilize a escalada dos resultados. Teste e valide a disposição a pagar pelo seu produto e/ou serviços, para que você não descubra tarde demais que o seu negócio somente é viável por um preço que o cliente não esteja disposto a pagar.
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Fontes: Scale Finance, Tech Crunch, Forbes, Fast Company, Raines International, Suno, Mckinsey
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